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quinta-feira, 19 de junho de 2014

A FACULDADE DE MEDICINA DA BAHIA



Inicialmente chamada de Escola de Cirurgia da Bahia, foi criada a pedido de Jose Correa Picanço, pernanbucano, cirurgião da Câmara Real e lente jubilado da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra de Portugal, que retornou ao Brasil em 1808.
O pedido de Picanço foi atendido neste mesmo ano pelo Principe Regente D. João pela decisão régia de 18 de Fevereiro , expedida pelo Ministro do Reino Don Fernando José de Portugal ao Capitão-general da Capitania da Bahia João Saldanha da Gama (Conde da Ponte), cuja instalação se deu vinculada ao Hospital Real Militar da Bahia, em Salvador,  iniciando suas atividades com apenas duas cadeiras básicas: cirurgia especulativa e prática pelo cirurgião Manoel Jose Estrela; anatomia e operações cirúrgicas pelo cirurgião Jose Soares de Castro.
Seguindo as instruções do cirurgião-mór Jose Correa Picanço, o ensino seguiria a orientação das escolas da França sendo adotado  o compendio de Monsieur de La Fay e exigida para a realização da matricula o conhecimento da língua francesa. O curso inicialmente era de quatro anos findos os quais o aluno requeria uma certidão à escola a qual declarava se ele estava apto a prestar o exame, e caso fosse aprovado, os documentos eram enviados a Lisboa para expedição do Diploma.
Até 1815 o corpo da escola foi constituído basicamente de dois professores e um porteiro. Neste período foram formados apenas treze médicos cujos estudos complementares foram feitos na Europa, principalmente na França e na Inglaterra.
O quadro foi aumentado para sete lentes, um substituto para as cadeiras cirúrgicas, um secretário, um porteiro e dezessete estudantes que atuavam basicamente na enfermaria do Hospital da Santa Casa. 
Em 16 de Dezembro de 1829 por ordem do Governo Imperial o colegiado de lentes elegeu informalmente Jose Avelino Barbosa para presidir seus trabalhos , que se tornou  diretor   da instituição. No entanto, o primeiro diretor oficial da Faculdade de Medicina da Bahia foi Jose Lino Coutinho, escolhido em lista tríplice (Jose Lino Coutinho-Jose Avelino Barbosa-Antonio Ferreira França) na eleição de 03 de Junho de 1833, determinada pela reforma do ensino médico de 1832.
Durante a  administração de Coutinho (1833 a 1836), a instituição foi transferida para o prédio do antigo Colegio dos Jesuitas ocupando ainda o espaço de doze casas que formavam o lado esquerdo da Rua das Portas do Carmo e as enfermarias da Santa Casa para as lições de clínica. Também foram criados a biblioteca, o laboratório de química importado da Europa e o de anatomia.
Em 20 de dezembro de 1883 Antonio Pacifico Pereira assumiu interinamente a diretoria da Faculdade de Medicina da Bahia dando inicio à reforma do antigo prédio dos Jesuitas  ampliando as suas instalações.
Em março de 1905, na administração de Alfredo Thome de Britto, lente de clinica propedêutica, a parte antiga do prédio foi destruída quase totalmente por um incêndio, ficando inutilizados os laboratórios de química, histologia, medicina legal, bacteriologia,, anatomia, fisiologia patológica e a biblioteca.
No prédio reconstruído e totalmente reformado no governo de Rodrigues Alves (1902-1906) foram instalados a administração e as cadeiras de laboratórios. Em outro prédio construído junto ao Hospital Santa Izabel pertencente à Santa Casa da Bahia, foi instalado o Instituto Clinico contendo laboratórios exclusivos  para cada uma das clinicas da faculdade tendo como diretores seus respectivos lentes, Anisio Circundes de Carvalho (clinica medica), Francisco Braulio Pereira (clinica medica), Antonio Pacheco Mendes (clinica cirúrgica), Braz Hermenegildo do Amaral (clinica cirúrgica), Aurelio Rodrigues Viana (clinica propedêutica), Francisco dos Santos Pereira (clinica oftalmológica), Frederico de Castro Rebello (clinica pediátrica), Climerio Cardoso de Oliveira (clinica obstétrica e ginecológica), Alexandre Evangelista de Castro Cerqueira (clinica dermatológica e sifilografica), Luis Pinto de Carvalho ( clinica psiquiátrica). O Instituto Clinico foi denominado mais tarde como Instituto Alfredo de Brito em homenagem ao seu Diretor. Em Abril de 1908 foi inaugurado o laboratório de histologia dirigido pelo lente Antonio Pacifico Pereira.
No Hospital Santa Izabel foi instalado o pavilhão das operações assépticas, o instituto hidro-elétrico-terapico e os institutos de eletroterapia, de radioterapia e de fototerapia.
Na comemoração do seu centenário em 1908, a Faculdade de Medicina da Bahia já havia formado 2502 médicos, 1446 farmaceuticos, 3 parteiros e 284 cirurgiões dentistas.
No dia 30 de Outubro de 1910, na administração de Augusto Cezar Vianna, foi inaugurada a maternidade, ao lado do Hospital Santa Izabel, que recebeu o nome de um de seus fundadores, Maternidade Climerio Cardoso de Oliveira.
Em 1911 foi inaugurado o Instituto de Medicina Legal que passou a se chamar Instituto Nina Rodrigues em homenagem ao seu fundador Raimundo Nina Rodrigues, que havia falecido neste mesmo ano. O Instituto Nina Rodrigues tornou-se referencia da ciência médica legal no Brasil, sendo seu diretor, em 1918, convocado pela Faculdade de Medicina e Cirurgia de São Paulo para lá inaugurar a cadeira de medicina legal.
Em 1918, ainda na gestão de Augusto Cezar Vianna foi adquirido um terreno na Rua Bom Gosto no bairro do Canela com a finalidade de construir ali o Hospital das Clinicas da Faculdade de Medicina da Bahia o que foi concretizado somente em 1940, na administração de Edgard Rego dos Santos.
Os cursos médicos no Brasil passaram por diverssas reformas a partir de 1832 sendo a ultima dela a chamada Reforma Rocha Vaz proposta pelo Decreto 16762_A de 13/01/1925 e assinada pelo Presidente da Republica Arthur Bernardes. O nome Rocha Vaz deveu-se à participação do diretor da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, Juvenil da Rocha Vaz, na elaboração da reforma que estabelecia a reorganização do ensino secundário e superior, sendo este ultimo abrangido pelos cursos de direito, engenharia, medicina, farmácia e odontologia. Esta reforma criou o Departamento Nacional de Ensino subordinado ao Ministerio da Justiça e Negocios Interiores.
Esta reforma determinava também que os cursos da Faculdade de Medicina da Bahia e da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro deviam ser realizados em seis anos, elevando suas cadeiras a trinta e seis. O curso de famacia passou a ser de quatro anos, o de odontologia  três anos, sendo extinto o curso de parteiras e criado o curso de enfermagem.

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